A melancólica história de Abdón Porte.

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março 2, 2013 por Yuri Torres

ABDON_PORTE_NACIONAL_DE_MONTEVIDEO

Abdón Porte, o ídolo mais apaixonado pelo Nacional.

Estou lendo um livro magnífico sobre o futebol, chamado “Futebol ao sol e à sombra”, do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Como ainda estou lendo falarei mais diretamente sobre essa obra prima quando terminá-la. Mas um dos trechos me tocou de um jeito que só pra quem ama realmente o futebol como ele é, poderia sentir algo parecido.

Galeano separa o livro dele esquematicamente em tópicos, como se fossem sub-capítulos e o que eu citei se chama: “Morte no campo”, a história triste de um dos maiores ídolos da história do Nacional de Montevideo, Abdón Porte. Segue o trecho:

“Abdón Porte defendeu a camisa do Nacional do Uruguai durante mais de duzentas partidas, ao longo de quatro anos, sempre aplaudido, às vezes ovacionado, até que sua boa estrela apagou-se.

Então foi tirado da equipe titular. Esperou, pediu para voltar, voltou. Mas não tinha jeito, a má fase continuava, as pessoas o vaiavam: na defesa, até as tartarugas conseguiam fugir dele; no ataque, não faturava uma.

No final do verão de 1918, no estádio do Nacional, Abdón Porte se matou. À meia-noite, com um tiro, no centro do campo onde tinha sido querido. Todas as luzes estavam apagadas. Ninguém escutou o tiro.

Foi encontrado ao amanhecer. Numa mão tinha o revólver e na outra, uma carta.”

A carta que ele segurava firmemente em sua mão continha três recados, o primeiro é para o presidente do Nacional na época:

“Querido Doutor José Maria Delgado. Peço que você e os demais companheiros façam por mim como eu fiz para vocês; façam por minha família e pela minha querida mãe. Adeus, querido amigo da vida”.

No segundo recado, Abdón declara seu profundo amor ao clube uruguaio:

“Nacional, mesmo que em pó convertido / e em pó sempre amante / não esquecerei por um instante / o muito que tenho querido / Adeus para sempre.

O terceiro recado era um pedido para ser enterrado ao lado de Carlos Céspedes e Bolívar no Cemitério de La teja, dois grandes ídolos do Nacional.

Dizem que Porte sempre foi um rapaz alegre e tinha tudo para ser feliz, até casamento marcado ele tinha. Mas seu grande e verdadeiro amor era realmente o Nacional e aquelas vaias não saiam de sua cabeça. Naquela noite quando todos já tinham ido embora, Abdón ficou e foi até o gramado, onde tirou sua própria vida, pelo amor ao clube e ao futebol.

Até hoje ele é considerado um grande ídolo para a torcida do Nacional, imaginem uma pessoa tirar sua própria vida por não estar mais jogando bem e não poder fazer seus torcedores felizes. Isso sim é um ídolo. É mais do que comum vocês verem hoje em dia na torcida do Nacional faixas e bandeiras em homenagem ao grande jogador.

HINCHAS_NACIONAL_ABDON_PORTE

É comum ter faixas em sua homenagem até hoje.

 

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