Solo sucede…

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março 5, 2013 por Yuri Torres

GIMNASIA_ESGRIMA_BARRA_BRAVA

Mais um hincha morre na Argentina, dessa vez da barra do Gimnasia.

“De uma coisa temos total certeza, é mais fácil Israel e Palestina entrarem em paz do que acabar a violência futebolística na Argentina.”

Foi assim que eu terminei meu post do dia primeiro de março: “Guerra en Argentina, pero no Malvinas”, que falava sobre a violência no final de semana no futebol argentino. Como dá pra perceber a rodada que passou foi igual. Mais uma morte, mais brigas nas bancadas envolvendo hinchas e policiais, duas partidas suspensas, uma criança ferida e até um jogador agredido pelas autoridades (fisicamente).

Me permiti citar antes das notícias um trecho de uma entrevista que Rafa Di Zeo, ex líder da La 12 do Boca Juniors concedeu após ser preso. Retirei o texto do livro “La Doce” do jornalista argentino Gustavo Grabia:

“¿Vos te creés que conmigo preso la violencia se va a terminar? ¿Vos te creés que si nos juntam a todos en una plaza y nos matan, la violencia se va a terminar? No, no se va a terminar nunca. ¿Sabés por qué? Porque esto es una escuela. Es herencia, herencia y herencia. Viene desde 1931, cuando los de River ya cobraban a manos de La Doce. Y seguirá por siempre. Porque el fútbol es así. La violencia no la generamos nosostros, sólo sucede. Está ahí, en el fútbol. La Policía arma un operativo de seguridad para que no pase nada. Pero cuando falla y se encuentran dos barras, sucede. Y eso no se va a terminar jamás.”

E é assim, não só na Argentina como em qualquer lugar do mundo onde o futebol gera paixão e onde há paixão, há ódio e como ele mesmo diz, a violência apenas acontece.

Agora vamos aos casos do fim de semana:

Gimnasia x Gimnasia:

Na semana passada ocorreu algo parecido, mas na barra do Tigre. Mais uma briga interna. Dessa vez foi na barra do Gimnasia y Esgrima de La Plata e um integrante foi morto: Julio Biscay de 31 anos.

As autoridades dizem que o confronto ocorreu por causa de uma questão “barrial”, ou seja, de vizinhança. Acontece que o suposto assassino de Biscay, Ariel Ortega, de 27 anos, o tinha jurado de morte por conta de um ocorrido de dois anos atrás, quando os dois foram detidos por estarem envolvidos em um negócio de licenças de táxis e Biscay o passou para trás. Mas tem outro fator que indica o confronto. Julio Biscay estava repassando entradas para o jogo contra o Nueva Chicago para o grupo ‘Palihue’, um dos grupos da ‘La 22’ (barra brava do Gimnasia), assim supostamente Ariel chegou atirando. Na briga, Julio Biscay foi morto por tiros e um garoto de 11 anos que estava com seu irmão esperando as barras entrarem no estádio para eles poderem entrar depois ficou ferido, mas não corre riscos.

Saiba quais são os grupos da barra do Gimnasia:

A barra é dividida em três grupos: o grupo majoritário, o que comanda a barra é liderado por Cristian Camillieri e Fernando Torugo Núñez, que comandam os bairros El Churrasco, Ringuelet, Arroyo El Gato e têm a ajuda dos irmãos Papupa que comandam a perigosa e temida facção “La Favela”. O segundo grupo é mais novo, dos bairros de Villa El Puente e Los Hornos, é comandado por Ruso. Já o terceiro grupo é o envolvido na briga, o grupo de Palihue, quem comanda é Manco Wimpfy, este era o grupo de Ariel Ortega e Julio Biscay.

Nueva Chicago x Polícia:

Mais uma vez os hinchas do Nueva Chicago estão envolvidos em uma confusão. Pela “B” do Campeonato Argentino, se enfrentaram Gimnasia e Nueva Chicago em La Plata.

Jogando em sua própria cancha o Gimnasia fez 3 a 0 ainda no primeiro tempo e no segundo quando ampliou o placar para quatro tentos foi o estopim para começar uma confusão na bancada onde estava a torcida do Chicago. O time é lanterna da segundona da Argentina e perder por esse placar foi o cúmulo para os hinchas, assim começaram a se enfrentar com a polícia e a partida foi interrompida. Segue os vídeos do incidente:

Belgrano + jogadores x Polícia:

Na sexta feira, pela primeira divisão do Campeonato Argentino, se enfrentaram em Rosário o Newell’s Old Boys e o Belgrano. A torcida de Córdoba (Belgrano) começou a enfrentar a polícia e até os jogadores se envolveram na confusão indo para cima das autoridades e no meio da briga um policial acertou o rosto do jogador Turus. Segue o vídeo da confusão e da cena do jogador sendo agredido:

No programa “Juca entrevista”, do senhor que detesta as torcidas organizadas Juca Kfouri, que me desculpem os adoradores dessa peça de nosso jornalismo, mas muitas ideias dele vão contra as minhas. Mas nesse programa em particular eu gostei, o convidado foi o jornalista argentino Gustavo Grabia que acompanha há anos os barra bravas da Argentina. Apresentando seu livro La Doce, ele explica como funcionam as barras e as diferenças com as torcidas do Brasil. Confira no link abaixo:

http://goo.gl/eK5zM

Como citei um jornalista que não gosto, tenho que citar o maior jornalista esportivo que existe: Mauro Cezar Pereira. Onde ele diz que a violência das torcidas argentinas está elevadíssima e cada vez se eleva mais e mais, lembrando e muito o hooliganismo inglês nos anos 80.

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