Torcidas organizadas: culpadas ou inocentes?

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agosto 30, 2013 por Yuri Torres

No ano passado escrevi uma matéria no site de notícias da faculdade. Colocarei a matéria nesse post porque acho o assunto pertinente por causa dos acontecimentos da semana.

Durante a semana um indivíduo sugeriu que a Gaviões da Fiel fosse extinta. Uma coisa é clara, seria impossível uma torcida desse tamanho deixar de existir, aconteceria a mesma coisa que aconteceu com a Mancha em 1995, onde ela foi extinta e seus integrantes criaram a Mancha Alvi Verde como torcida e a Mancha Verde como escola de samba.

Agora uma opinião minha, é ridícula a decisão de extinguir torcidas organizadas, querer que elas acabem, elas que são a alma dos times. Existe violência? Existe, claro, mas como em tudo no mundo tem o lado bom e o lado ruim. É mais vendável, é mais “bonito” falar das organizadas as relacionando com brigas e mais brigas, mas e o apoio incondicional que elas dão aos clubes? Se o time está na quinta divisão, lá está a organizada, se o time está jogando na Argentina, Uruguai ou até no Japão, a organizada está lá. Fora suas campanhas de solidariedade, como doações de sangue, campanhas do agasalho e etc. Claro que existem opiniões e opiniões, mas eu acharia depressivo ir a um jogo de futebol e não presenciar a grande festa e barulho que elas fazem. Mas vamos a matéria que é o foco deste post.

A matéria que escrevi para o site da faculdade aborda uma discussão sobre um assunto delicado e polêmico no mundo do futebol, o banimento das torcidas organizadas dos estádios de futebol. Fui atrás de diferentes “personalidades” para captar suas opiniões. Visitei a sede da Mancha e conversei com seu presidente, Marquinhos. Também fui para a sede da Gaviões onde conversei com Donizete, presidente da também organizada de São Paulo e por último entrevistei o capitão Alessandro Gregorim Silva, do 2º Batalhão de Choque da PM de São Paulo.

“No dia 26 de março deste ano, as torcidas organizadas Mancha Alvi Verde, do Palmeiras, e Gaviões da Fiel, do Corinthians, foram banidas dos estádios paulistas pelo Ministério Público por conta de um confronto entre as duas no dia anterior na zona norte de São Paulo, no clássico no estádio do Pacaembu. Como forma de punição, apenas no  dia 29 de agosto as duas foram liberadas para entrar uniformizadas e com seus instrumentos nos estádios. No mesmo dia, porém, grande torcida foi banida, a Torcida Tricolor Independente do São Paulo, por causa de “desobediência e perturbação da ordem pública” nos jogos contra Palmeiras e Corinthians. Medidas como essas têm dividido opiniões em São Paulo.

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Torcida Gaviões da Fiel em clássico contra o Palmeiras. Foto: Divulgação/Foto Torcida.

O presidente da Gaviões da Fiel, Donizete, comentou sobre o fato das punições das torcidas organizadas, para ele, essa atitude não vai resolver. “Eu acho que punir a torcida organizada não vai acabar com o problema, eles estão camuflando um problema social que já existe”. Para Donizete o caminho não é punir a torcida organizada.”Pra eles (autoridades) é fácil, pois estão desviando um problema cultural, isso vem da formação, onde não existe uma boa estrutura, assim estas pessoas não têm uma perspectiva de vida”.

Em contrapartida, o capitão da PM do 2º Batalhão de Choque, Alessandro Gregorim Silva, afirma que as punições coletivas só ocorrem caso o responsável por algum tumulto causado em dias de jogo não seja encontrado. Para ele, é uma “minoria” dentro das torcidas que causa esse tipo de violência e são apenas algumas torcidas que geram problemas. A grande maioria, diz, apenas vai aos estádios para incentivar o clube.

“Que uma coisa fique clara, nós não somos contra as torcidas organizadas, desde que elas vão aos estádios para fazer festa, somos contra o indivíduo que pratica a violência. Se depois de uma investigação não acharmos o culpado, proibimos a torcida por um tempo de entrar nos estádios”. Segundo Gregorim, hoje em dia é difícil ocorrerem brigas dentro do estádio. “Fazemos, três dias antes do jogo, uma reunião preparatória com o administrador do estádio, a CET, a Guarda Civil Metropolitana, a Polícia Civil, os clubes e as torcidas para tomar precauções. Assim, a inteligência mapeia todas as redes sociais para identificar onde haverá confrontos pela cidade marcados na internet.”, diz Gregorim.

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Torcida Mancha Alvi Verde espera para entrar no estádio Pacaembu. Foto: Divulgação/Foto Torcida.

Para o presidente da torcida Mancha Alvi Verde, Marcos Ferreira, quem tem que ser punido é o indivíduo. “Não acho certo punir uma torcida inteira e sim o indivíduo, mas pra isso precisa existir uma investigação muito mais elaborada, nós sempre oferecemos a ficha cadastral dos sócios para as autoridades responsáveis, então eles que não investigam direito”, acusa. Ele também acha errado proibir os torcedores de entrarem nos estádios sem camisa e faixa da torcida, pois “não vai ter como identificar o torcedor organizado”.”

As fotos são do grande Gabriel Uchida do FotoTorcida.

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